
No ano de 1974, mais precisamente dia 23 de
maio, nasce nossa pequena jóia, Miss Jewel Kilcher. Filha de
Lenedra Carrol e Atz Kilcher, nascida em Paison, Utah. Tem dois irmãos, Atz Kilcher
Jr., conhecido como Atz Lee Kilcher nascido em 1977 e Shane Kilcher; nascido em
1971.
Desde pequena já demonstrava seus talentos musicais. Mais tarde, aos 5 anos, vai com a família para Anchorage, no Alasca, no ano de 1979, num sítio de 250 hectares dos avós suíços, e já nessa idade, às vezes ou não, devido às turbulências entre os pais, Jewel escreve poemas e arranha suas primeiras canções (ela tem bem mais de 150 composições, todas maravilhosas).
Sua infância foi difícil, teve dislexia - transtorno que afetava sua leitura e coordenação. Mas ela sempre foi muito determinada. No espetáculos de música folk dos pais, ela se deliciava quando o pai fazia o famigerado Yodel e queria aprender a fazê-lo. Mas Atz, temendo que isso sobrecarregasse as cordas vocais da menina de 6 anos, relutou a ensiná-la. Então ela treinou incessantemente sozinha, até conseguir imitá-lo com facilidade.
Dois anos depois, seus pais se divorciaram e ela muda-se
novamente agora para Homer, também no Alasca.
Na
minha opinião, ela assemelha-se ao guitarrista Carlos Santana, já que ambos
começaram a tocar aos 5 anos e aos 8 já tocavam em bares juntos com o pai
(Santana não tocava
com o pai, mas já tocava e muito bem). Numa entrevista que ela deu, ela diz que
naquela época sempre lavava os cabelos antes dos shows, numa pia, e que encontrou certa vez uma mulher
que deve ter pensado “que menina esquisita”, ehehhe.
Eles tocavam sempre em bares decadentes e pontos de encontro de veteranos, muitos recendendo fumaça e cerveja derramada. Os freqüentadores incluíam motoqueiros tatuados e gente sem destino certo. Num bar de motoqueiros em Anchorage, Jewel viu um homem desmaiar no estacionamento por overdose. "O que presenciei nesses lugares me afastou de drogas, bebida e fumo pelo resto da vida". Ali ela também presenciou o que acontece com pessoas que perdem a paixão pela vida e que terminam apenas vivendo 'com a barriga'. E jurou que nunca deixaria isso acontecer com ela.
Uma noite, pouco antes de suas apresentações, ela e o pai discutiram. Já perturbada, Jewel desatou em lágrimas quando o pai lhe disse que tinha de esquecer a vida particular ao subir no palco. Que diferença fazia, pensou Jewel, se a platéia era um bando de veteranos de guerra bêbados?
Foi quando um homem gritou para ela: 'larga esse ar deprimido!'. Subitamente ela percebeu que estava ai para agradar ao público, e não a si. Decidiu então nunca mais subestimar uma platéia.
Aos 13 anos, inquieta, Jewel fez as malas e foi morar com a mãe, 'abandonando' de vez aquele zigue-zague de morar cada hora com um dos pais. Jewel chegou a fazer amizade com membros de gangues de rua. Saiu com homens mais velhos. Até chegou também a praticar pequenos furtos em lojas.
Mais tarde, em 1988 ela é “adotada” por uma tribo indígena em Otawa.

Na sua época de colégio chegou a ter um grupo de rap com as amigas, curioso não?
Quando tinha 18 anos, acabara de concluir o curso secundário e estava totalmente incerta quanto ao que fazer da vida. Ela e sua mãe mudaram-se de Michigan para San Diego, para um apartamento alugado, e vinha aceitando uma série de empregos frustrantes e mal pagos, servindo mesas e operando caixas registradoras. O tempo e o dinheiro eram escassos, insuficientes para que pensasse em seu futuro profissional. Na verdade mal conseguia sobreviver. A situação piorou ainda mais quando a adolescente esguia começou a sentir nas costas uma queimação que descia até a virilha. Seus longos cabelos louros estavam ensopados por causa da febre no dia em que, em silêncio, foi com a mãe até o pronto-socorro. Três hospitais e quatro clínicas já haviam se recusado a tratar a séria infecção renal da jovem, que não tinha dinheiro ou plano de saúde. Por fim conseguiram um médico que se dispôs a tratá-la, mas o episódio foi, física e espiritualmente o fundo do poço.
Nas semanas seguintes, Jewel confiou à mãe, suas ansiedades. O que deveria fazer? Adorava artes - literatura, desenhos, dança, música. Mas como se dedicar a essas carreiras que tanto exigiam se a mera subsistência lhe absorvia tamanha energia?
Em 1993 Nedra propôs uma solução inédita: entregariam o apartamento, por motivos financeiros, e se mudariam para uma van na praia. Sem a pressão do aluguel, Jewel poderia concentrar-se no objetivo da sua vida. Fazendo uma auto-análise, Jewel concluiu que cantar e escrever música era o que mais gostava na vida. Nedra sondou-a mais a fundo, perguntando por quê.
Jewel refletiu sobre os motivos. Dinheiro? Sempre tivera tão pouco...até já se acostumara a viver com o que conseguia carregar numa mochila. Fama? Não ligava para isso. O que realmente importava eram suas canções - inspirar as pessoas com suas palavras e voz. "Quero cantar para lembrar todos de viverem seus sonhos", disse à mãe.
Jewel disse que quando abria a janela do carro na primavera, via as
flores e a praia e sentia como se estivesse no Caribe. Nessa época conhecera
um dos seus melhores amigos Steve Poltz, da banda
Rugburns. Ele a ensinou a surfar e também escreveram várias músicas como
“You Were Meant For Me”, que foi escrita no México, durante uma viagem. Ela
também além de ter trabalhado como garçonete tocava todas as quintas-feiras
num Café, por míseros U$ 3,00.
Sua vida deu uma virada quando um professor da Interlochen Arts Academy, em Michigan, ouviu-a cantar num festival de música. Impressionado com a sua voz, ele a estimulou a inscrever-se naquela conceituada escola de arte. Jewel então ganhou uma bolsa de estudos para canto. A Interlochen ofereceu a ela uma formação em dança, literatura e teatro, e ampliou seus horizontes artísticos.
A vida dura no Alasca acabou sendo uma boa preparação para Jewel. Ela ficava à vontade com roupas de segunda mão compradas em bazares e conseguia sobreviver com pouco mais do que cenouras e manteiga de amendoim, enquanto procurava trabalho. Terminou por encontrar uma ocupação regular, apresentando-se em um barzinho de Pacific Beach. Enquanto estava lá, escreveu 'Who will save your soul?', uma canção sobre pessoas que levam uma vida de conforto material e vazio espiritual.
Em dezembro de 1993 ela assina com a Atlantic Records, e em fevereiro de 1995 lança seu primeiro álbum “Pieces of You”, com músicas calmas que vendeu menos de 500 cópias por semana.
De volta a San Diego, a mãe a ajudou a administrar a carreira. Jewel tocava em pequenos clubes, chegando a fazer 40 espetáculos em 30 dias, e não ficava mais do que algumas noites na mesma cidade.
Piores ainda eram alguns de seus compromissos. Em uma ocasião, Jewel foi contratada para tocar em uma colégio para negros, em Detroit (ruim não era tocar para negros, ruim pelo ocorrido no dia). Deu uma olhada pela cortina antes de o show começar, maravilhada com o auditório lotadao de alunos animados. Entretanto, a ruidosa exuberância da platéia tranformou-se em vaias e assobios quando a cortina levantou-se. Estavam esperando um cantor de rap chamado "JeweLL", e uma jovem com um violão não os entusiasmou. Muitos alunos saíram. Mesmo assim, lembrando-se da repreensão do pai anos antes, Jewel percebeu que seu trabalho era fazer um bom espetáculo. Assim, cantou com paixão para aqueles que ficaram.
As estações de rádio recusavam-se a tocar suas músicas. Os críticos debochavam (debocham até hoje), dizendo que ela estava fora de moda. Riam dela por tudo, desde os dentes desalinhados até seus estímulo constante aos fãs para que perseguissem seus sonhos. Mas ela não se deixou abater e tocava em bares, autografava cds em lojas de subúrbio e agradecia a quem assistisse a seus shows.

Daí sua carreira começa a deslanchar. Em 1996 já fez um tour pela Europa e em 97 já ganha seus primeiros prêmios, tais como o American Music Awards por You Were Meant For Me. Em 1997 o álbum POY vendeu mais 7 milhões de cópias só nos EUA, e até hoje já soma mais de 11 milhões.
Seu segundo CD, Spirit, de 1998, já vendeu mais de 3 milhões de cópias. Spirit
já tem músicas com bateria, e arranjos mais agitados. No mesmo ano,
em 1998, ela publica seu primeiro livro de poemas, “A Night Without Armor”,
que além de poemas também conta um pouco sobre sua própria história, e vem
junto com seu spoken word cd. Infelizmente não sei bem ao certo o ano, se foi
em 1995 ou 96, ela gravou o acústico MTV, com uma versão de Who Will Save Your
Soul com um saxofone, pois ela diz que gosta de variar o arranjo das canções
para o público não enjoar, como se fosse preciso. : )
Em novembro de 1999, seu terceiro cd é lançado, o “Joy – a holiday collection”, com canções natalinas e com versões diferentes de Life Uncommon e Hands.
Uma curiosidade, Jewel se compara ao esquisito Marylin Mason, não pelo
estilo musical, mas pelas idéias, porque assim como ele, ela não compõe suas
canções com a intenção de nem agradar a todos, nem de agradar a poucos, mas sim
com a simples função de expor seus pensamentos e sentimentos. Ela realmente me
surpreende.
Mas Jewel não é apenas uma loirinha bonitinha, ela também tem um coração
bom, e junto com sua mãe fundou o programa Higher Ground for Humanity, que tem
a missão de inspirar uma mudança positiva global, e também individual de espírito,
para as pessoas aprenderem a se respeitar e viverem em comunidade. Juntamente
vem o outro projeto Be the Difference, That Makes a Difference, e o Clearwater
Project, com o objetivo de levar água aos países mais necessitados, inclusive
na parte mais pobre da África.
Em 1999 ela lançou seu
primeiro livro de poemas, "A Night without armor", e em 2000 o seu segundo livro, “Chasing Down the
Dawn”, que contém basicamente histórias e contos.
Não podemos esquecer do filme “Ride With the Devil" de Ang Lee, que no Brasil infelizmente não fez muito sucesso com o público, estreando em poucas salas, recebendo muitas críticas negativas e saiu logo de cartaz.
Na minha opinião ela também tem muitas coisas parecidas com o The Doors. Além das idéias, tem o cd - livro de poemas, e também a velha relação indígena. O Jim Morrison quando era pequeno viu um índio ser morto, e passou a ter visões com o índio, e dizem que ele viveu com esse índio incorporado nele...Claro que com a Jewel não foi assim, ela foi também criada por índios, melhor dizendo, ela conviveu com eles por um tempo.....
É Jewel, não querendo te comparar a ninguém, mas você é um resumo das coisas boas.
Em 13 de novembro de 2001 lança seu 4° álbum, This Way, com baladas mais agitadas e uma voz afinadíssima. Batidas eletrônicas e uma banda de apoio impecável complementam a qualidade da evolulação da garota do Alasca.

Destaque para "Love me just leave me alone", que ela lançou em 1ª mão em 1999 no "Woodstock". Show que aliás merece muita atenção porque prova que a Jewel sempre tenta fazer os shows como se fossem o último e por isso o melhor. Nesse show ela arrasa com a versão de 10 minutos de 'Who will save your soul' com aquele duelo de guitarra e voz.
Agora é só esperar por mais novidades sobre a nossa musa...
Fonte: www.jeweljk.com e do texto da revista 'Reader´s Digest - Seleções' - por Suzanne Chazin
Tradução e comentários: Michele Tyszler
Curiosidades da Jewel
Altura: 5´6´´ ou 1,68 m.
Melhor
álbum: Ella
Fitzgerald - Cole Porter Songbook
Vocalista: Nina Simone e Ella Fitzgerald
Melhor artista novo: Steve Poltz
Primeiro show que foi: eu cresci no Alaska, e lá não tinha muitos shows. Mas
quando eu me mudei pro Hawaii, teve um show do Jon Bon Jovi e eu fui assistir.
Melhor show: Steve Poltz
Primeiro cd que teve: Pink Floyd - The Wall
Livro: "O mal estar na civilização" - Sigmund Freud, eu acho que
esse livro realmente mudou minha vida e o modo como eu encaro ela, e também me
ajudou a ver minha função perante a sociedade.
Filme: "Escolha de Sofia"
Atriz: Mary Pickford
Melhor seriado: "I Love Lucy"
Comida: sushi
Primeiro emprego: ajudante no rancho de seu avô.
Música digital (ruim ou boa): faz parte do progresso, seja qual for o
significado da palavra.